Com DILMA ,
saúde, trabalho, lazer, segurança, previdência
social, proteção à maternidade e à infância, assistência
aos desamparados”, busca-se construir uma sociedade
livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a
marginalização; reduzir as desigualdades sociais e
regionais; e promover o bem de todos, sem preconceitos
ou quaisquer formas de discriminação.
(Cfr. Constituição da República Federativa do Brasil, art. 6º e 3º)
01/02/2010
Excelente artigo sobre a reação da mídia contrária ao Programa Nacional de Direitos Humanos
Vejam aqui o MICO do Lasier
O DIA EM QUE LASIER MARTINS TOMOU NO PAC
Vinculado ao Ministério da Saúde, com atendimento 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e integrado à rede de saúde local e regional, o Hospital Conceição atende à população de todo o estado. A superintendência do GHC está a cargo da ex-deputada estadual Jussara Cony (PC do B) que, nos últimos dias, tem se desdobrado para aplacar a fúria dos títeres demotucanos que infestam certas redações.
A bola da vez dos safardanas é o setor de Emergência do Hospital Conceição. Não por acaso, o porta-voz da oligarquia mafiomidiática gaúcha, Lasier Martins, deixou um pouco de lado seu negócio de agenciamento de salames coloniais e assumiu a linha de frente da artilharia golpista contra a instituição.
No último dia 25, em seu programa diário na Rádio Gaúcha, o sabujão resolveu gerar seu espetáculo diretamente da Emergência do Hospital Conceição. Tudo ao vivo. Sua esperança era ouvir dos pacientes as piores coisas possíveis. O sistema de rádio-escuta deste Cloaca News captou quase tudo. Os melhores momentos você pode conferir agora.
23/01/2010
Canoas começa a atrair milhares para maior evento social mundial
Esse evento vai trazer a Canoas e mais quatro cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre, grandes intelectuais, além de atrações artísticas de expressão nacional.
O FSM é um espaço de debate democrático de idéias, aprofundamento da reflexão, formulação de propostas, troca de experiências e articulação de movimentos sociais, redes, ONGs e outras organizações da sociedade civil que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do mundo pelo capital e por qualquer forma de imperialismo.
Mais do que possibilitar a avaliação histórica sobre as origens e avanços desse evento, o retorno do FSM ao RS, em uma dinâmica de organização policêntrica, vai permitir inserir demandas das cidades desse eixo nas temáticas do Fórum.
Ronaldo M. Botelho
Fonte: site da Prefeitura de Canoas
19/01/2010
Educação para Jovens e Adultos
A Eja assim como as demais políticas compensatórias na área da educação, demonstram a dívida social histórica com as classes menos favorecidas. Não esqueçamos que a instituição "escola" foi imposta pelos "colonizadores" aos "colonizados" pela Companhia de Jesus. Uma escola feita pelo poder da Igreja com acesso somente pelas famílias de "cabedal" (de posses). Ao verdadeiro povo brasileiro, os indios, restou a catequização...
"Que podem um trabalhador camponês ou um trabalhador urbano retirar de positivo p
Reforçando o silêncio, em que seacham as massas populares dominadas pela prescrição de uma palavra veiculadora de uma ideologia da acomodação, não pode jamais um tal trabalho constituir-se como um instrumento auxiliar de transformação da realidade" (Freire)
Portanto educação de jovens e adultos assim como educação profissional, nas modalidades de Eja, Proeja, Projovem, na verdade são programas que buscam incluir parcela considerável da população que não foi atendida de forma satisfatória pela escola formal e também não foi qualificada para o mundo do trabalho pelas escolas técnicas públicas e Universidades, em sua grande maioria elitizadas. Por isto a proposta metodológica e curricular não pode ser aquela que já excluiu anteriormente... e exclui como um projeto de sociedade onde o status quo nunca seria questionado, onde o povo jamais se organizaria para transformar a sociedade...
Este é o desafio, educação de qualidade que vá além das competências para a leitura efetiva do mundo pelos educandos, oportunizando assim a transformação social.
*Professora de História e Sociologia,
Gestora da Unidade de Educação Profissional- SME de Canoas
Vale a Pena Ler...
A bêbada, o terrorista e o cafajeste
O brasileiro incauto liga o rádio em mais uma estação de golpistas comediantes. Aí, o vetusto locutor de voz grave convoca a infanta do Jô para, mais uma vez, malhar o Presidente da República.
E a referida dispara:
Olha, lolito (?), eu eu, particularmente acho
uma coisa muito complicada.
Acho que o presidente cometeu um erro... pulítico,
no sentido de cor... de cometer monte di di
di di erros di di di
De criar um monte de empresas (?)
um monte de brigas...
nesse programa
agora, eu acho o seguinte...
Ah desse ponto de vista ixclusivo
das das ah ah ele num
das das dos Direitos Humanos
do ponto de vista dos Direitos Humanos
Eu vou dizer uma coisa a você...
O locutor tenta desesperadamente calar a ninfeta do Gordo. Diz que vai refazer o contato. E ela inventa a razão do nonsense discursivo:
É esse a... o telefone tá tá tá piscando, tá cortando a linha...
Motivo? Mais nobre seria o consumo exagerado da “mardita”. Parece mais, no entanto, um curto-circuito neuroemocional, coisa de quem já não sabe como justificar o dinheirinho ganho para, diariamente, distorcer a verdade.
Vale lembrar que a sujeita se diz “cientista política”, mas desconhece o basicão da teoria marxista, ignora a natureza dos escritos de Adam Smith e pronuncia barbaridades, por exemplo, ao discorrer sobre o getulismo.
Certa vez, no programa de seu protetor, admitiu em tom jactante que obtivera seu diploma em Comunicação de forma pouco convencional. Ou seja, não estudou de verdade. Deu seu jeitinho gersônico para descolar a titulação.
De olhos bem abertos
Os profetas previram bombásticas revelações nos anos que antecederiam a catástrofe de 21 de Dezembro de 2012. Considerada a análise científica, o mundo provavelmente não vai acabar nesta data.
Muitas máscaras, porém, estão caindo. E almas sinistras, antes ocultas, vão sendo exibidas ao público.
Pois o ano virou sob o impacto das declarações do terrorista do CCC que se fingia de paladino da moral e dos bons costumes.
Flagrou-o um microfone do bem, subversivo, disposto a mostrar o lado sombrio do valentão-covarde que – revólver na cinta - passou boa parte da juventude perseguindo atores, agredindo estudantes e entregando nomes aos t-rex que torturavam e assassinavam os amantes da liberdade.
O ex-garotão alegrinho de Médici apresentou ao Brasil sua sincera opinião sobre dois humildes trabalhadores do setor de limpeza pública. Expôs ali, ironicamente, o odor repugnante do preconceito e da arrogância.
O homem melancia
Mas não para por aí... No Estadão oitentista, as moças jornalistas reclamavam do assédio descarado de um editor que dispensava desodorante. O “cara de melancia” usava de chantagem para conseguir alguns sorrisos e afagos das subordinadas.
Não lhe faltava coerência. Era esse tipo de troca ilícita que lhe garantia mimos da milicada e da parcela mafiosa do empresariado paulista.
Então, no 2010 ainda menino, reaparece o carudo para revelar seu desconhecimento acerca do Programa Nacional de Direitos Humanos e sugerir uma quartelada bananeira para derrubar o governo do metalúrgico. Parece que não vai dar certo. E, desta vez, não vai cair nenhum avião.
Pronto! Mais um cafajeste exposto e (des) classificado.
O horror bandeirante
Vivemos, pois, um tempo de signos expostos. As elites mesquinhas e estúpidas, por exemplo, manifestam-se diariamente em episódios de inveja, ressentimento, ignorância, hipocrisia e incompetência. E, curiosamente, um símbolo as aglutina.
No Palácio dos Bandeirantes, reside um dublê de gestor que prima pela preguiça dorminhoca e a incompetência caduca. Foi diante deste prédio, aliás, que policiais guerrearam contra policiais, num exemplo assustador da periculosidade do desgoverno paulista.
Na Universidade Bandeirante, assistimos a uma tentativa de linchamento ao estilo medieval. Em seguida, vimos a condenação pública da vítima e a apologia do crime. Os bárbaros foram convertidos em defensores da moral e dos bons costumes.
Não fosse o alarme do marketing, a loura jamais receberia o “perdão” do reitor, antigo Sancho Pança de Paulo Maluf.
E, note-se, qual emissora de TV acolheu o terrorista do Mackenzie? Qual cerra fileiras, obsessivamente, em defesa dos coronéis ruralistas? Qual se estende em editoriais barrocos de golpismo explícito? Qual? A Bandeirantes!
Ora, essa gente esfolava, matava e escravizava índios. Essa gente mercenária foi contratada para destruir o sonho de justiça do Quilombo dos Palmares. Essa gente...
As cartas estão na mesa. Abertas. Só não vê quem não quer.
18/01/2010
Filósofo analisa caso Boris
Boris Casoy, o filho do Brasil
Uma Aula de História sobre o Haiti
A Maldição Branca
“Então reinstale”
“A França fez o Haiti pagar um preço elevado pela humilhação infringida a Napoleão”
“Em 1915, os Fuzileiros Navais aportaram no Haiti”
“Muitos terminaram no fundo do Mar do Caribe …
“O Haiti é um país que tem sido descartado”
17/01/2010
13/01/2010
Sobre os crimes da ditadura-por Hildegard Angel
Quem tem medo da verdade?
Sobre a importância da Filosofia
Sobre a Impunidade dos crimes da Ditadura Militar no Brasil
Fico pensando na decisão argentina de abrir todos os arquivos confidenciais das Forças Armadas referentes ao período da ditadura militar, ocorrida entre 1976-1983. Essa abertura foi feita para subsidiar a apuração de violações aos direitos humanos durante aquele período.
E penso novamente no Brasil, no barulho que se está fazendo diante da possibilidade da criação da Comissão Nacional da Verdade, que já aconteceu na maioria dos países da América Latina que viveram também a tenebrosa experiência de ditaduras. Nesses países encara-se com naturalidade que criminosos, torturadores, assassinos sejam julgados, e muitos deles foram julgados, condenados e presos.
Quem desembarcasse no Brasil nos últimos dias e não soubesse nada de nossa história, certamente começaria a assimilar a idéia de que não houve ditadura. Que ela não matou, não seqüestrou, não torturou barbaramente homens, mulheres, crianças, religiosos, religiosas. Que não empalou pessoas, que não fez desaparecer seres humanos, que não cortou cabeças, que não queimou corpos. Que não cultivou o pau de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, que não patrocinou monstros como Carlos Alberto Brilhante Ustra ou Sérgio Paranhos Fleury, este morto, o primeiro ainda exibindo sua arrogância, cinismo e ainda certeza da impunidade.
De repente, se não insistirmos na luta para afirmar a verdade da história, gente do nosso povo pode até acreditar na versão que querem passar de que houve apenas uma luta entre um regime legal e os que a ele se opunham.
É falso, mentiroso dizer que a Comissão Nacional da Verdade que se pretende implantar queira eliminar a Lei de Anistia. Ela pretende, se instalada, apurar todas as violações de direitos humanos ocorridas no âmbito da repressão política durante os 21 anos de ditadura.
É a forma de legalmente desencadear o processo histórico, político, ético,
criminal, como disse o ministro Vannuchi, de todos os episódios de tortura, assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos registrados naquele período.
O que se sustenta, aqui e em todo o mundo democrático, é que a tortura é crime imprescritível, e que esse crime não pode permanecer impune. Não é à toa que o ex-ditador Pinochet, um assassino, foi detido em Londres e depois julgado em seu país.
Não se queira fazer acreditar que a Comissão Nacional da Verdade pretenda desmoralizar as Forças Armadas. Ao contrário. Pretende-se que quaisquer que sejam os cidadãos que tenham cometido o crime da tortura ou que tenham assassinado pessoas por razões políticas ou tenham feito com que desaparecessem sejam julgados por seus crimes de lesa-humanidade.
E julgamento é atribuição do Judiciário, com sua soberania e com os ritos próprios da democracia. Diz-se isso para que se diferencie dos mais de 20 anos da ditadura, onde não havia qualquer legalidade. Muitos dos nossos companheiros não chegaram a ser julgados: foram mortos de forma covarde, insista-se na palavra, covarde, na tortura brutal, cruel, e os registros históricos são vastíssimos. Não cabem neste artigo.
Assistam o filme Cidadão Boilensen. É interessante como registro da associação corrupta entre grupos empresariais e a Operação Bandeirante, entre o aparato repressivo e as finanças, entre a ditadura e o grande negócio. Puro banditismo, acobertado pelo silêncio imposto à época. E para compreender, também, parte, apenas parte, da impressionante crueldade desse aparato.
Não sei como se movimentará a sociedade brasileira nesse caso. Sei que mais de 10 mil cidadãos assinaram um manifesto, inclusive eu, defendendo que os envolvidos em crimes de tortura em nome do Estado brasileiro devem ser julgados e punidos pelos seus atos.
Estamos defendendo a civilização, a humanidade, a democracia. Não dá para acobertar crimes como o da tortura ou assassinatos e desaparecimentos de opositores políticos. Esta é a posição de quem não esquece o terrorismo da ditadura. A posição de quem defende intransigentemente a democracia. E que grita: ditadura, nunca mais!
*Jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA)
01/01/2010
23/08/2009
A respeito do inaceitável assassinato do trabalhador Sem-Terra em São Gabriel pela Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul e na presença do MPE
16/08/2009
A Vocação Política X A Política Como Profissão
De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
‘Política’ vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.
Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’.
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.
Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva.O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.
Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento.
Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade... Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.
Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs.
Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?
Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam. (Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 19/05/2000.)
Encontrei este texto maravilhoso no blog do Fábio Rodrigues e decidi divulgá-lo aqui no blog tambem.
04/06/2009
Linda Mensagem do Quintal da Paula
O Iluminado

As folhas de mangueiras enfeitavam as portas das casas da aldeia, significando fecundidade em abundância, e o ashram se encontrava ornamentado de festões de flores de laranjeiras.
As pessoas transitavam felizes, ornadas de guirlandas coloridas, e as virgens descalças exibiam os braceletes e guizos reluzentes, assim como as jóias cintilantes que adornavam os sáris leves, dourados uns, prateados outros.
Enfeitadas com esmero e pintadas, aguardavam o Iluminado que deveria chegar, quais noivas ansiosas pelas núpcias anunciadas.
Crianças gárrulas, vestidas com cuidado, corriam de um para o outro lado, como abelhas operosas, embora não produzissem nada além da música estridente dos gritos e das risadas...
O Sol ameno beijava a terra verde exultante de vitalidade com carícia gentil.
De quando em quando, soavam os clarins anunciadores, informando a proximidade da comitiva que conduzia o Esperado.
O palanque no centro do ashram estava repleto com as autoridades e as personagens locais de maior destaque.
Todos O aguardavam com expectativa mal disfarçada.
Esperava-se que Ele chegasse numa carruagem ajaezada de gemas preciosas e ornada de ouro, conduzida por corcéis brancos igualmente recobertos de tecidos caros...
...Ele, porém, chegou caminhando, pés descalços, cabeça erguida e corpo coberto somente pela túnica em tonalidade açafrão, que lhe descia até ao solo.
Nenhum adorno se destacava na indumentária.
Os seus acompanhantes eram, também, destituídos de luxo e de ostentação.
A multidão não pôde esconder o desencanto.
Aguardava-se um rei poderoso que representava Brahma na Terra, e o mensageiro parecia tão pobre e sem valor!
Ele dirigiu-se ao estrado, subiu, calmamente, os degraus, saudou as personalidades com humildade, em melodiosas expressões Namastê!1
As pessoas acercaram-se mais e um silêncio cósmico facultou a oportunidade para Ele falar...
...Eu venho em nome da Luz Inapagável, que antecedeu ao tempo e ao espaço.
Eu sou o portador da Sua claridade, a fim de que toda a sombra se dilua nas mentes e nos corações humanos.
Eu sou a luminosa verdade que desalgema o Espírito da dominadora sombra da ignorância.
Eu sou o archote da esperança para quem busca, sou o socorro para quem o necessita.
Não tenho nada, além disso, nem me interessa possuir outras coisas...
Eu sou!...
Ante a expectação e a onda de ternura que invadiu as pessoas, um apelo maternal rompeu a pausa que Ele fez, rogando:
- Minha filha é cega! – e ergueu-a nos braços.
Ele sorriu, misericordioso, e, dos Seus olhos saíram raios brilhantes, atingindo a criança invidente, que gritou: - Vejo! – e prorrompeu em pranto...
Outrem suplicou:
- Cura as minhas feridas!
Ele estendeu as mãos que espraiaram radiante luz, que logo cicatrizou as úlceras...
...E todos que se encontravam nas trevas das aflições suplicaram remendos para os seus corpos corrompidos, enquanto Ele, curando-os, iluminou-lhes as almas equivocadas.
Quando a noite chegou estrelada, e Ele partiu, uma estrada esplendendo em luz feérica se estendeu da aldeia humilde, perdendo-se na direção do infinito.
O Iluminado compadecido, que nada possuía, era o amor que tudo pode e que se dá, deixando perene claridade naqueles que deambulam na escuridão da inferioridade.
Rabindranath Tagore
Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica da noite de 7 de julho de 2008, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. Em 23.03.2009.
1O deus que está em mim saúda o deus que está em você.




